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Prontuário eletrônico médico: passo a passo do zero em 2026

Prontuário eletrônico médico: passo a passo do zero em 2026

Prontuário eletrônico médico é o sistema que armazena o histórico clínico do paciente em formato digital, com assinatura válida e guarda segura. Configurar um do zero em 2026 exige sete passos: escolher um sistema certificado, obter o certificado digital, definir os campos clínicos, integrar a prescrição eletrônica, ajustar a guarda de dados conforme a LGPD, treinar a secretária e ligar o prontuário à camada de captação de pacientes.

Este guia mostra cada passo na ordem em que ele acontece na prática, com a tela que aparece em cada etapa, as exigências do Conselho Federal de Medicina (CFM) que valem a partir de junho de 2026, e um comparativo honesto dos sistemas de prontuário mais usados no Brasil. O texto é agnóstico de produto: o objetivo é o médico sair sabendo montar o prontuário, não vender um sistema específico. A Fly Med não produz prontuário — entra só como a camada de captação e CRM que se conecta ao prontuário escolhido, e isso fica explicado no fim.

Por que prontuário eletrônico médico deixou de ser opcional em 2026

O prontuário eletrônico do paciente (PEP) virou exigência prática, não escolha de modernização. A guarda dos documentos médicos é obrigatória por no mínimo 20 anos segundo resolução do CFM (fonte), prazo que o papel não sustenta sem risco de perda, traça e processo. A Lei 13.787/2018 autorizou a digitalização e a eliminação do papel desde que o documento digital tenha integridade, autenticidade e confidencialidade garantidas por certificado ICP-Brasil (fonte).

O empurrão mais duro de 2026 é a prescrição. O Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR) passa a ser obrigatório em 1º de junho de 2026, e receitas de medicamento controlado emitidas sem numeração do SNCR só serão aceitas por 30 dias após essa data, segundo a RDC ANVISA 1.000/2025 (fonte). Quem ainda prescreve controlado no bloquinho de papel tem uma janela curta antes de o sistema parar de aceitar.

Há também o lado de mercado. O Conselho Federal de Medicina conta mais de 217 mil médicos registrados no Brasil (fonte), e cerca de 75% dos hospitais já tinham adotado práticas de telemedicina até 2020 (fonte) — sinal de que o paciente já espera atendimento digital. Mateus Gomes, founder Fly, observa que o problema raramente é o médico não querer o prontuário: é ele montar o prontuário e descobrir que continua sem agenda cheia, porque resolveu o registro do paciente que já chegou e não a captação do paciente que ainda não chegou.

O que é um prontuário eletrônico (e o que ele não resolve sozinho)

Prontuário eletrônico do paciente é um software que registra identificação, anamnese, plano terapêutico, exames e prescrições de forma estruturada, com controle de acesso e trilha de auditoria. A Resolução CFM 1.638/2002 define o conteúdo mínimo obrigatório do prontuário (fonte), e a Resolução CFM 2.299/2021 regula os documentos médicos online exigindo assinatura digital com certificado ICP-Brasil de Nível de Garantia de Segurança 2 (NGS2) (fonte).

O ponto que muita clínica descobre tarde: o prontuário é um sistema de registro, não um sistema de aquisição. Ele organiza o paciente que já entrou. Não traz paciente novo, não responde WhatsApp em segundos, não roda Google Ads, não qualifica quem chega pela internet. São duas funções diferentes — registro clínico e captação — e a maioria dos sistemas de prontuário cobre só a primeira. Esse é exatamente o ponto onde uma camada de captação e CRM se acopla por cima do prontuário, sem substituí-lo.

Como avaliar um sistema de prontuário antes de configurar

São seis critérios que separam um prontuário que aguenta a operação de um que vira dor de cabeça em seis meses:

  1. Certificação de segurança. O sistema é certificado SBIS-CFM e em qual nível (NGS1, NGS2 ou NGS3)? O nível define se o papel ainda é juridicamente necessário.
  2. Assinatura digital nativa. Aceita certificado ICP-Brasil A3 e login gov.br com selo prata ou ouro para assinar documento sem sair da tela?
  3. Prescrição integrada. Conecta com Memed ou Mevo e está pronto para a numeração SNCR obrigatória em junho de 2026?
  4. Guarda e LGPD. Garante os 20 anos de retenção e trata dado de saúde como dado sensível, com política de exclusão e notificação à ANPD em 72 horas?
  5. Propriedade do dado. O histórico clínico fica no CNPJ de quem, e dá para exportar se você trocar de sistema?
  6. O que ele não faz. Captação de paciente novo, WhatsApp oficial e tráfego pago entram no escopo, ou você vai precisar de uma camada separada por cima?

Cada critério vira uma coluna no comparativo abaixo. O sexto critério é o que costuma ficar de fora da decisão e voltar como problema depois.

Passo a passo: configurar o prontuário eletrônico do zero

Os passos abaixo seguem a ordem real de implantação. Cada um descreve a tela que aparece na prática, sem screenshot de marca específica para o guia continuar agnóstico.

Passo 1 — Escolher um sistema certificado SBIS-CFM

A primeira tela de qualquer sistema sério é o cadastro com validação de CRM. Antes de assinar, confirme a certificação SBIS-CFM. O Manual de Certificação para Sistemas de Registro Eletrônico em Saúde, da SBIS em parceria com o CFM, define os níveis NGS1, NGS2 e NGS3 (fonte). No NGS1 o registro digital existe mas o papel ainda é necessário; no NGS2 dá para eliminar o papel de registros não assinados; no NGS3, o nível completo, o papel é totalmente substituído com assinatura ICP-Brasil. Para consultório que quer abolir o papel, NGS2 é o mínimo funcional.

Passo 2 — Obter o certificado digital ICP-Brasil

A tela do segundo passo é a configuração de assinatura. O médico precisa de um certificado digital A3 modelo ICP-Brasil — disponível em nuvem, cartão ou token — para assinar documentos com validade jurídica (fonte). Como alternativa para documentos online, a conta gov.br com nível de segurança prata ou ouro também serve como meio de assinatura eletrônica válida. Sem isso, o prontuário registra mas não assina, e documento médico sem assinatura válida não fecha o ciclo legal.

Passo 3 — Definir os campos clínicos obrigatórios

A terceira tela é o modelo de atendimento. Aqui você configura os campos que a Resolução CFM 1.638/2002 exige: identificação do paciente, anamnese, exame físico, hipótese diagnóstica, plano terapêutico e evolução. Sistemas maduros oferecem modelos por especialidade — pediatria com curva de crescimento da OMS, oftalmologia com registro de grau — para a tela não virar um campo de texto livre que ninguém preenche direito.

Passo 4 — Integrar a prescrição eletrônica

A quarta tela liga o prontuário à prescrição. As duas plataformas mais usadas no Brasil são gratuitas: a Memed é gratuita para médico com CRM ativo e tem mais de 80 mil medicamentos cadastrados (fonte), e a Mevo permite prescrever comum, controlado e manipulado com receita assinada eletronicamente. Atenção a um detalhe prático: não dá para usar Memed e Mevo ativas ao mesmo tempo — ativar uma desativa a outra (fonte). Confirme que a integração já está pronta para a numeração SNCR de junho de 2026.

Passo 5 — Configurar a guarda de dados e a LGPD

A quinta tela é a de segurança e privacidade. A Lei 13.709/2018 (LGPD) classifica dado de saúde como dado pessoal sensível, o que exige consentimento documentado, política de retenção definida, notificação à ANPD em até 72 horas em caso de incidente e a possibilidade de exportar ou excluir o dado do paciente (fonte). Configure a retenção respeitando os 20 anos mínimos do CFM e ative o controle de acesso por usuário — secretária e médico não enxergam as mesmas telas.

Passo 6 — Treinar a secretária e padronizar o uso

A sexta etapa não tem tela de software: é treinar a secretária para o fluxo. Prontuário que a recepção não usa do jeito certo gera dado pela metade. Defina quem cadastra o paciente na chegada, quem confirma os campos obrigatórios e quem dispara o lembrete de retorno. É a diferença entre um prontuário que vira fonte de decisão e um que vira arquivo morto digital.

Passo 7 — Conectar o prontuário à captação de pacientes

A sétima etapa é a que quase ninguém planeja: ligar o prontuário à entrada de paciente novo. O prontuário registra quem chegou; ele não faz chegar mais gente. Aqui entra a camada de captação e CRM — a que recebe o lead do Google e do Instagram, responde no WhatsApp oficial em segundos, qualifica e só então cria o cadastro que vai alimentar o prontuário. Sem esse passo, você tem um registro clínico impecável de uma agenda que continua com buracos.

Comparativo de sistemas de prontuário eletrônico em 2026

A tabela compara os sistemas de prontuário mais citados em comunidades médicas, mais a Fly Med — que não é um sistema de prontuário e aparece na última coluna apenas para mostrar onde a camada de captação se encaixa. A Fly não produz prontuário; ela integra com o prontuário do médico.

CritérioiClinicClínica nas NuvensGestãoDSMemed/MevoFly Med (camada de captação)
Plano de entrada (mês)A partir de R$ 289A partir de R$ 99Sob consulta (teleconsulta grátis)Grátis com CRM ativoBásico R$ 169
Prontuário eletrônico próprioSim (NGS certificado)SimSim (com IA)Não (só prescrição)Não — integra com Mevo
Prescrição eletrônicaIntegrada (Memed/Mevo)IntegradaIntegrada (Memed/Mevo)É a própria prescriçãoVia integração com Mevo
Captação Google + Meta nativaNãoNãoNãoNãoSim
WhatsApp oficial via BSPNãoNãoNãoNãoSim (Cloud API oficial)
IA que agenda paciente novo 24hNãoNãoNãoNãoSim (IA Agendadora)
Conta de anúncios no CNPJ do médicoNão aplicávelNão aplicávelNão aplicávelNão aplicávelSim
Melhor paraRegistro clínico robustoEntrada de baixo custoProntuário com IASó prescreverEncher a agenda

A leitura honesta: se a dor é registro clínico, escolha iClinic, Clínica nas Nuvens ou GestãoDS. Se a dor é só prescrever controlado dentro da regra, Memed ou Mevo resolvem de graça. Se a dor é a agenda vazia apesar do prontuário em dia, nenhum sistema de prontuário resolve sozinho — é aí que a camada de captação entra por cima.

Cenários por porte de consultório

Médico solo começando do zero

Comece pelo par mais barato: um prontuário de entrada (Clínica nas Nuvens a partir de R$ 99/mês) mais Memed gratuita para prescrição. Resolve registro e receita dentro da lei com custo mínimo. A camada de captação entra quando a agenda começar a ter buraco — o Básico da Fly Med, a R$ 169/mês, conecta WhatsApp oficial e tráfego sem trocar o prontuário já configurado.

Clínica média com 3 a 8 colaboradores

Aqui o prontuário precisa de modelos por especialidade e controle de acesso por usuário — iClinic (a partir de R$ 289/mês) ou GestãoDS cobrem bem. O ponto de atenção é o mesmo: esses sistemas não trazem paciente novo. A clínica que cresce costuma manter o prontuário e acoplar a captação por cima, em vez de migrar tudo para uma promessa de “sistema único” que não existe.

Consultório que vive de paciente particular novo

Quando a operação depende de captar paciente que paga do bolso, o gargalo nunca é o prontuário — é a entrada. O prontuário continua sendo o iClinic ou o GestãoDS da clínica; o que muda o faturamento é a camada que responde o lead do Google em segundos e qualifica via WhatsApp oficial antes de a concorrência do mesmo bairro responder.

Visão do founder

Mateus Gomes é founder da Fly Tecnologia e estruturou o comercial da Fly Vet do zero, com cicatriz e dado real do mercado de serviço de saúde brasileiro — primeiro na veterinária, depois na medicina com a Fly Med. Ele não é médico com CRM; é empresário, e olha o prontuário pela ótica de quem precisa encher a agenda, não só registrar quem já chegou. Sobre a confusão comum entre prontuário e captação, ele costuma resumir:

“O prontuário organiza o paciente que entrou. Ele não traz paciente nenhum pra dentro. O médico monta o prontuário, fica orgulhoso da tela bonita, e a agenda continua com os mesmos buracos.” — Mateus da Fly, em reunião 05/2026

E sobre o modelo da Fly Med:

“A Fly não vende prontuário e não quer vender. A gente entra por cima do prontuário que o médico já usa — pega o lead do Google, responde no WhatsApp, qualifica, e só então joga o cadastro lá dentro. Quem faz prontuário faz prontuário. Quem faz agenda cheia é outra coisa.” — Mateus da Fly, em reunião 05/2026

A honestidade sobre os limites faz parte: a Fly não emite NFS-e direto (faz via integração com a Asaas), não integra PDV físico Stone, não tem app mobile próprio e não cobre internação madura. O que ela faz é a camada de captação que se conecta ao prontuário, nunca o prontuário em si.

Perguntas frequentes

O que é um prontuário eletrônico médico?

Prontuário eletrônico médico, ou prontuário eletrônico do paciente (PEP), é o software que armazena de forma digital identificação, anamnese, exames, plano terapêutico e prescrições do paciente, com controle de acesso e trilha de auditoria. A Resolução CFM 1.638/2002 define o conteúdo mínimo obrigatório, e a guarda dos documentos é exigida por no mínimo 20 anos. Não é só uma versão digital da ficha de papel: é um sistema com campos estruturados, assinatura digital e segurança regulada.

Qual certificado digital preciso para configurar o prontuário do zero?

Para assinar documentos no prontuário com validade jurídica, o médico precisa de um certificado digital A3 modelo ICP-Brasil, disponível em nuvem, cartão ou token. Para documentos médicos online, a conta gov.br com nível de segurança prata ou ouro também funciona como meio de assinatura eletrônica válida. A Resolução CFM 2.299/2021 exige certificado ICP-Brasil de Nível de Garantia de Segurança 2 (NGS2) para documentos online. Sem assinatura válida, o prontuário registra mas não fecha o ciclo legal do documento.

O prontuário eletrônico é obrigatório em 2026?

Não há lei que obrigue todo médico a ter prontuário eletrônico, mas há exigências que o tornam praticamente inevitável. A guarda de 20 anos do CFM, a Lei 13.787/2018 que regula a digitalização e, principalmente, a obrigatoriedade do SNCR para receita de controlado a partir de 1º de junho de 2026 empurram a operação para o digital. Receita de controlado sem numeração do SNCR só será aceita por 30 dias após essa data, segundo a RDC ANVISA 1.000/2025.

Existe prontuário eletrônico gratuito que serve?

Existem opções gratuitas para a parte de prescrição: a Memed é gratuita para médico com CRM ativo e a Mevo permite prescrever comum, controlado e manipulado sem custo. Mas elas são plataformas de prescrição, não prontuário completo. Para registro clínico completo gratuito as opções são mais limitadas e costumam ter escopo reduzido. O caminho mais usado por médico solo é combinar um prontuário de entrada de baixo custo com a prescrição gratuita da Memed ou da Mevo.

Como a LGPD afeta a configuração do prontuário?

A Lei 13.709/2018 (LGPD) classifica dado de saúde como dado pessoal sensível, o que muda a configuração do prontuário em vários pontos. É preciso ter consentimento documentado do paciente, política de retenção definida respeitando os 20 anos do CFM, controle de acesso por usuário, capacidade de exportar ou excluir o dado, e notificação à ANPD em até 72 horas em caso de incidente de segurança. Por isso a tela de privacidade e a configuração de acessos não são opcionais na implantação.

A Fly Med tem prontuário eletrônico?

Não. A Fly Med não produz nem vende prontuário eletrônico — ela é a camada de captação e CRM que se conecta ao prontuário que o médico já usa. Na prática, a Fly traz o paciente novo pelo Google, Instagram e WhatsApp oficial, qualifica com a IA Agendadora e só então o cadastro alimenta o prontuário escolhido (com integração com a Mevo para a parte de prescrição). Quem registra o atendimento é o iClinic, o GestãoDS ou o sistema que a clínica já tem; quem enche a agenda é outra função. Para um médico solo, a configuração básica do prontuário leva de poucos dias a duas semanas, dependendo de já ter o certificado ICP-Brasil em mãos, e a camada de captação se acopla por cima sem refazer nada do que já foi configurado.

Conclusão

Configurar um prontuário eletrônico médico do zero em 2026 é um processo de sete passos, com base regulatória clara: sistema certificado SBIS-CFM, certificado digital ICP-Brasil ou gov.br prata/ouro, campos clínicos da Resolução CFM 1.638/2002, prescrição integrada pronta para o SNCR de junho, guarda de 20 anos sob a LGPD, secretária treinada e — o passo mais esquecido — a captação ligada por cima. Os sistemas de prontuário (iClinic, Clínica nas Nuvens, GestãoDS) resolvem o registro clínico; Memed e Mevo resolvem a prescrição de graça.

O que nenhum prontuário resolve sozinho é a agenda vazia. O prontuário registra quem chega. Encher a agenda é função de uma camada de captação e CRM que se conecta ao prontuário sem substituí-lo — papel da Fly Med, que integra com o prontuário do médico em vez de tentar ser um. Escolher o prontuário pelo registro e a camada de captação pela entrada de paciente é a decisão que separa a tela bonita da agenda cheia.

Ver também

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